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Contos ou Delírios?
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[b]Correu e saltou.[/b]
Acreditava que se pudesse cair do alto, se pudesse realmente realmente ser livre de qualquer contato que não fosse o seu corpo e o ar, então, naqueles breves momentos de queda livre, de vôo negativo, de fatalidade extrema, conseguiria finalmente senitr, compreender, acreditar e ser.
Ser sem as limitações do mundo. Ser o que se é, independente do que impede o ser e os movimentos. Apenas saber o que se quer ser, sem as impossibilidades do chão.
Acreditar sem tocar, sem saber, sem medir.
Compreender sem precisar exprimir (as palavras também são uma limitição).
E principalmente sentir. Sentir sem os estímulos, sem as manipulações cotidianas que de tão presentes já nem se fazem mais perceber. Sentir sem os olhos, sem as mãos sem intenção nenhuma sentir simplesmente pela extraodinãria capacidade de se ter um coração. Sentir com a sinceridade pura do inconsciente, da ignorancia do destino, da despretensão.
Se pudesse simplesmente exitir num vácuo profundo de finalidades, seria cercado apenas por sentimentos. Sentimentos que carregariam seu corpo, que guiariam ou precipitariam seus ossos, que esmagariam ou revestiriam seus músculos e que finalmente seriam perfeitamente compreendidos.
Não era o tempo que importava! Não haveria consequencias a lidar, não haveriam decisões e soluções práticas a se tomar. Nada que pudesse alterar ou influenciar no seu rápido julgamento. Ele simplesmente teria todas as repostas que desesperavam tanto seu espírito.
Correu e saltou.
Havia esperado o dia certo.
Devia haver muito vento. Quanto mais forte, mas violento e mais impetuoso, melhor.
Não que ele tivesse medo do chão. Sabia que aquele era seu destino e não tinha intenção nenhuma de evitá-lo, mas queria o máximo que pudesse aproveitar das respostas que teria naquela noite.
E a tempestade finalemte havia chegado, como um anúncio de que seu destino lhe dizia sim.
Depois de tantos dias no frio daquela que era a montanha mais alta que já havia escalado, finalmente a devastação da natureza trazio o convite de seguir em frente.
Lá embaixo as árvores lutavam apenas para se manter presas ao solo (such a waste of time!) muitas delas já tinham sido derrotadas nesa batalha, mas ainda assim, de alguma forma, pareciam tentar resistir.
Do outro lado, as ondas pareciam compartilhar de seu mesmo desejo. Entregavam-se ao vento como se pudessem mesmo ser levadaspara outro lugar. Na verdade elas realmente iam longe! Às vezes pareciam até voar!
O vento brincava com elas, jogando-as de um lado para o outro e elas agradeciam com a única beleza que sabiam: espuma! era óbvio que estavam felizes! Era óbvio que desejavam seguir com aquele tornado para onde quer que ele as levasse e não se importavam nem um pouco com o que tentava interromper aquele momento de prazer intenso!
Era sua última lição!
O mar estava lhe ensinando como se comportar em seus próximos momentos.
"Apenas sinta o que houver para ser sentido".
Correu e saltou.
Abriu os braços, mas não para tentar voar.
Queria o vácuo envolvesse seu corpo por completo. Não queria sentir nem a si mesmo.
A velocidade com que a terra tentava atrair de volta seu corpo não assustava.
Estava aprendendo tão rápido, que mal tinha forma de processar conscientemente as repostas que estava recebendo mas elas estavam todas lá! Podiam ser sentidas com cada célula de seu corpo!
sentia a obsessão com que a terra amava seus seres. Sentiu a mágoa que exprimia por ser rejeitada.
Compreendeu como estava velha... a velha mais absolutamente linda do univesro inteiro! Mas ainda assim, uma velha. Cansada, matratada, rejeitada, explorada e cheia de manias às vezes cruiés, mas que exprimiam apenas o intenso desespero de saber que estava próxima do fim. A decepção de quem tenta agradar a seus amados com toda a sorte de belos presentes, conforto e carinho, mas que só recebia em troca desprezo.
Soube que o seu desejo de liberdade era muito motivado por essa pressão quase sufocante de um amor que não sabia corresponder.
Soube que não odiava tanto os seres humanos, como achava que odiava. Soube que não os desprezava tanto e naquele momento, teve a certeza de que os compreendia.
Não concordava, não esquecia suas falhas, Não os amava tão deseperadamente quanto a terra, mas definitvamente os compreendia.
Sentiu também que não havia amado antes. Não até aquele momento. Não até perceber quanto amor ainda havia na essência do mundo e na sua própria!
Não pôde amar antes por que não era feliz. Não conhecia a satisfação de simplesmente estar. A realização que é ser.
Mas agora não era a felicidade que motivava o seu amor. Não era nenhum tipo de ambição ou sensação hormonal. Era o seu ser. Havia amor ali. Nem muito, nem pouco. Não havia um sistema de medidas. Simplesmente estava ali, como uma célula, ou um músculo, ou o ar dentro de seus pulmões.
E naquele momento, enquanto uma corrente violenta daquela tempestade fazia seu corpo rodopiar, mudar de direçâo e subir novamente alguns metros, naquele momento em que percebeu que iria juntar-se à festa do mar, naquele momento que viu a espuma subindo ao seu seu encontro, para lhe receber e envolver como uma alegre anfitriã... naquele exato momento, soube que acreditava na beleza.
Havia corrido e pulado.
E agora as ondas envolviam seus pensamentos, entravam em seu corpo, manipulavam seus sentidos e guiavam sua direção. Estavam todos felizes!
E a terra ainda lhe queria! Isso era incrível! E foi a última sensação que teve, antes de se entregar de vez á escuridão.
Havia corrido e pulado.
Acordou sem conseguir acreditar que seus olhos se abriam! de alguma forma, aquilo pareceu totalmente anormal.
A areia envolvia seus membros, como uma amante que havia tido uma noite agradável.
Seus ossos doíam muito, provavelmente alguns estavam até quebrados, mas isso não era de todo desagradável.
Não conseguia lembrar-se de absolutamente nada antes daquela manhã. Não sabia como havia ido parar ali, por que havia se afogado e nem ao menos de quem era antes de abrir seus olhos à pouco minutos atrás. Não sabia, não lembrava, mas de alguma forma compreendia tudo.
E estava inacreditavelmente feliz!
Publicado por HEIDI COSTA às
2:00 PM
Nome: Heidi Costa (vulgo Monstrinha)
Idade:23
Ama: LIBERDADE
Detesta: Hipocrisia
Sobre o texto e a autora: O que há pra se falar sobre alguém que conhece a si mesma apenas o suficiente para não se compreender?
Estes textos são dedicados à liberdade. São tentativas diversas e muitas vezes desesperadas de tentar compreendê-la e sobre tudo alcançá-la.
Estou inclinada a acreditar que o caminho para a liberdade absoluta encontra-se na loucura também absoluta. Talvez exista um outro caminho, ou talvez a liberdade absoluta nem traga realmente a felicidade de quem a encontra.
Mas por enquanto ainda estou analizando a primeira opção.
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